segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Nothing but words...



                                                José Bergamin - do livro:



domingo, 23 de setembro de 2018

Sobre Machado

Um pouco da personalidade de Machado de Assis escrita por um amigo:
ps: tirei de algum jornal da década de 30, preciso confirmar qual. 


terça-feira, 28 de agosto de 2018

Nothing but words...

Caiu na rede


Seu Valdir levantava antes do sol nascer e ia caminhando até a praia com a tarrafa sobre o ombro direito. 
Dona Mercedes, a vizinha da frente, dizia que ele ia cedo assim para pegar os peixes ainda dormindo.
De segunda a sábado, cumpria com rigor de sino de igreja suas pescarias diárias. No domingo aproveitava para descansar porque segundo ele, até os peixes mereciam uma folga. 
Vivia sozinho com o cachorro Julião. O grande amor da adolescência deixou o pescador a ver navios. Benedita se apaixonou por um marinheiro e foi morar no Rio de Janeiro. 
Era um homem simples com um único sonho: queria aprender a ler. Não pudera frequentar a escola pois logo cedo começou a trabalhar para ajudar os pais em casa. Escrever só sabia o nome e sobrenome. A lida no mar foi passada de geração em geração e ele não escapou do destino salgado. 
Foi em uma das manhãs, depois do terceiro puxão na tarrafa, que Seu Valdir pegou dois peixes e um objeto estranho na rede. 
- Não pode ser, Julião! - disse espantado, como se o cachorro entendesse. 
Com todo esmero, retirou da água uma garrafa de vidro contendo um bilhete. Olhou, revirou, sacudiu, mas nada de abrir. Apanhou a cesta que trazia para carregar os peixes e acomodou a garrafa entre os dois fisgados do dia. 
- Dona Mercedes, venha cá ver o que o mar me deu - gritou. 
- Seu Valdir, que maravilha! Não vai abrir? 
- Mais tarde, mais tarde – escondendo o fato que não sabia ler. 
Pegou a garrafa, enrolou em um pano e tratou de colocar nos fundos da cômoda. 
- Julião, preciso aprender a ler de uma vez por todas. Não quero ninguém lendo a mensagem antes de mim. 
A determinação foi tanta que Seu Valdir substituiu as pescarias pelas aulas de alfabetização na cidade vizinha. Pra disfarçar, carregava a tarrafa no ombro e a cesta ia forrada com caderno e lápis. Meia hora caminhando e quase duas de ônibus. Ida e volta. Todo dia.
- Nada de peixe hoje? - perguntava Mercedes.
- Nadinha, Dona Mercedes. Acho que cansaram de mim.
O tempo foi passando e Seu Valdir estava mais seguro em suas leituras. 
- Hoje abro aquela garrafa. 
Já em casa, desenrolou com cuidado o pano que protegia o objeto que tanto se afeiçoara. Colocou o papel, preso com barbante, em cima da mesa e foi preparar um café. O cachorro aproveitou a ausência do dono e correu para abocanhar o papel.
- Julião, não! Me dá isso aqui! 
O cachorro correu para a casa de Dona Mercedes. Por sorte, o filho estava entrando para visitar a mãe e conseguiu salvar um pedaço do bilhete. 
- Seu Valdir, o cachorro comeu o resto. Era carta de algum estrangeiro? Me desculpe.
- De estrangeiro? Como assim?
- Sim, olha aqui. 
As palavras que sobreviveram ao ataque de Julião estavam escritas em inglês. Seu Valdir se irritou. Com o caderno e o lápis das aulas de leitura escreveu uma mensagem. Depois enrolou, colocando de volta na garrafa: 
“Por favor, da próxima vez que jogar uma garrafa ao mar, escreva em português. Prometo deixar longe de Julião. Ass: Valdir. Local: do Brasil”



Ilustração: Erin E. Stead

domingo, 22 de julho de 2018

Nossa literatura



   Artigo da revista Kosmos escrito por J. Veríssimo - ano: 1904 
Primeira edição 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

"Eu quero ser escritor, porque quero..."

"Eu quero ser escritor, porque quero e estou disposto a tomar a vida o lugar que colimei. Queimei os meus navios; deixei tudo, tudo, por essas coisas de letras." 
Lima Barreto


Livro: Lima Barreto - Toda Crônica (Beatriz Resende e Raquel Valença) - Editora Agir

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Nothing but words...

me diga como se preenche vazios
e te direi que não é possível

me questione uma dor
e te responderei um nome

me conforte dizendo que tudo passa,
  e te provarei o quão abissal e lento pode ser o tempo



Old Woman with Cats - Jacques Callot (1622)

sábado, 9 de dezembro de 2017

A Solidão e o Escritor




"Sinto que minha maior aptidão como escritor é estar sozinho. Solitude é uma condição da escrita"

Cena do documentário California Typewriter - http://www.imdb.com/title/tt5966990/

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

"Você não é macho de falar isso na minha cara"


O machismo nosso de cada dia não acomete somente mulheres.
Ele acontece muitas vezes de pai para filho. 
Pais covardes que acham que as frases do tipo "seja macho", ou "seja homem", servem como sinônimos de coragem.
Pais que não merecem um título tão nobre. 
Pais que sequer queriam ser pais, mas que precisam manter a posição para a sociedade, pelo emprego, pela imagem imaculada falsamente construída.
Tenho absoluta certeza que estes pais não falariam isso para o namorado de uma filha: "Olha, não esquece de ser macho quando sair com minha filha, tá?" . Não, claro que eles não falariam, afinal elas são "princesas", de preferência aquelas que esperam o príncipe dormindo.
Mas para o filho menino pode. Pode, porque ser macho no mundo dessas pessoas é faltar com respeito, é trair e "pegar" todas, é não aceitar ideias diferentes e muito menos ser contrariado da "autoridade" adquirida através do medo.  
Pais que acham que deve existir uma hierarquia entre filhos, só tenho uma coisa a dizer: meus pesâmes. 
E se você escutou do seu pai, não repita pro seu filho. 
A sociedade terá um machista a menos e um homem feliz a mais. 





domingo, 24 de setembro de 2017

Fitzgerald

Hoje, 24 de setembro, aniversário de Francis Scott Key Fitzgerald.
September, 24th: Francis Scott Key Fitzgerald's birthday.


              "All good writing is swimming under water and holding your breath"

            "Escrever bem é como nadar embaixo d'agua segurando a respiração"



         

sábado, 23 de setembro de 2017

Shakespeare

Conselho bom a gente replica:

Hamlet - Act I, Scene III


Yet here, Laertes! aboard, aboard, for shame!
The wind sits in the shoulder of your sail,
And you are stay'd for. There; my blessing with thee!
And these few precepts in thy memory
See thou character. Give thy thoughts no tongue,
Nor any unproportioned thought his act.
Be thou familiar, but by no means vulgar.
Those friends thou hast, and their adoption tried,
Grapple them to thy soul with hoops of steel;
But do not dull thy palm with entertainment
Of each new-hatch'd, unfledged comrade. Beware
Of entrance to a quarrel, but being in,
Bear't that the opposed may beware of thee.
Give every man thy ear, but few thy voice;
Take each man's censure, but reserve thy judgment.
Costly thy habit as thy purse can buy,
But not express'd in fancy; rich, not gaudy;
For the apparel oft proclaims the man,
And they in France of the best rank and station
Are of a most select and generous chief in that.
Neither a borrower nor a lender be;
For loan oft loses both itself and friend,
And borrowing dulls the edge of husbandry.
This above all: to thine ownself be true,
And it must follow, as the night the day,
Thou canst not then be false to any man.
Farewell: my blessing season this in thee!



Tradução - português (Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça)




quinta-feira, 8 de junho de 2017

Floripa vs Ibiza.

Dei um "curtir" dias atrás em uma foto que mostrava um dia de sol na universidade que frequento com estudantes sentados na grama, aproveitando os raios solares escassos do quase inverno. Clima descontraído, foto bonita, filtro Instagrâmico e um porém, a legenda. Esta dizia: "Berkeley de Floripa". Fiquei refletindo sobre este hábito desenfreado em compararmos (quase) tudo e todos com o outro exterior. Vou focar aqui na cidade que nasci e cresci. Florianópolis é como diz o hino local ("Rancho de Amor à Ilha"), de uma "beleza sem par". Fato este, indiscutível. O grande problema é que a pobrezinha da ilha sempre teve que lidar com pares. Analogias do tipo "a Ibiza brasileira", seguida da francesa St.Tropez e atualmente, Dubai, graças a especulação imobiliária. Claro que isto tem a ver com o projeto de um hotel nos moldes do Burj al-Arab em uma área de preservação numa cidade com traços arquitetônicos portugueses. Um imbróglio que dura anos munido da imbecilidade de poucos perante a recusa de ver além do próprio bolso. Coisa rotineira por aqui. 
Adubar a criticidade diante de falas que estamos acostumados a proliferar é importante. Reproduzimos o discurso do colonizador mesmo depois do grito de independência ou morte. Esta mentalidade do outrora colonizado de o que é de fora é melhor ou de que qualquer coisa proveniente do americano do norte tem mais qualidade, deve ser questionada. Não estou dizendo para negarmos o que gostamos do outro mas para pensarmos com mais cuidado o que este outro nos oferece ou impõe tão sutilmente que digerimos sem nem mastigar. A sabedoria de um povo vem com a aceitação de uma história e um passado, já que este é imutável, e com a mudança a partir disto de comportamentos que muitas vezes aceitamos sem perceber. A corrente mais perigosa da escravidão é a invisível.

Praça XV de Novembro

sábado, 27 de maio de 2017

3 Antônios e 1 Jobim

Programa/doc/conversa informal e rica com quatro de nossos muitos Antônios: 
Callado, Cândido, Houaiss e Jobim.

    





Viúva de Antônios 

Quatro mosqueteiros pensantes 
Brasileiros vorazes 
Daquela espécime rara 
Que com arte sara 

Sou viúva de Antônios 
De maestros das palavras 
De diplomatas musicais 
De contadores de causos 

 Sou viúva de Antônios 
 Velando seus rastros 
Manejando traços 
Viajando em utópicos abraços 

Ah, Antônios 
Que difícil ficou pra mim 
A tarefa de lidar diariamente 
Com esse multiplicar de saudades. 


Maria Muller

sábado, 20 de maio de 2017

Memórias de um Vestido / Memories of a Dress

The waltz of yore seemed to create an atmosphere of candour in the old hall of the far south province. It was actually a big masquerade ball and she only realized this fact after trying on that same white dress ten years later. It still fits her perfectly, however the dėbutant mind has been lifted and uncovered. Just like the masks. 

A valsa de outrora parecia criar uma atmosfera de inocência no antigo salão da longínqua província sulista. Na verdade era um grande baile de máscaras e ela só percebeu este fato após provar aquele mesmo vestido branco dez anos depois. Ainda servia perfeitamente em seu corpo, porém a mente de debutante havia sido erguida e descoberta. Assim como as máscaras.




sexta-feira, 12 de maio de 2017

Quer enriquecer? Leia.

O Estado de S. Paulo 12 Maio 2017 | 09h44 


O crítico literário e sociólogo Antonio Candido, dono de uma das obras mais fundamentais da intelectualidade brasileira, morreu aos 98 anos. Ele estava internado no Hospital Alberto Einstein, em São Paulo, com problemas no intestino, de acordo com Edla Van Steen. O filósofo Adauto Novaes, amigo de Candido, disse que ele mantinha a lucidez e conversava sobre atualidades. “Estava muito lúcido, era incrível. A gente conversava sempre. De repente isso aconteceu. A gente perdeu mais do que um amigo, mas o espírito de um tempo. Ele atravessou vários momentos da história, mesmo os sombrios, sem perder nenhum sentido dos valores, de todo o julgamento das coisas. Era de uma sutileza incrível. A dificuldade das coisas que ele escrevia estava nessa simplicidade. Discutia tudo o que estava acontecendo no País. Nunca perdia o fio da história. Ele seguiu o curso do tempo, em todos os momentos do pensamento." Autor de livros fundamentais como Introdução ao Método Crítico de Silvio Romero (1944), Formação da Literatura Brasileira (1959), Literatura e Sociedade (1965), entre muitos outros, Candido formou uma maneira de pensar a literatura brasileira que influenciou toda a crítica literária do País desde então.


Reportagem: 



quinta-feira, 4 de maio de 2017

David Lynch

Compartilho aqui o livro digital "David Lynch, multiartista" no qual colaborei com o capítulo sobre o filme Lost Highway. Pra quem curte o diretor ou simplesmente tem curiosidade sobre, eu recomendo.
Para baixar o livro, só clicar AQUI (você será redirecionado para o 4shared)





Release:

O livro digital David Lynch, multiartista é produto de colaboração entre pesquisadores de diferentes universidades nacionais.
O volume aborda o trabalho do cineasta e artista David Lynch em suas diversas facetas, agregando discussões sobre seus longas-metragens, seu projeto musical, seus projetos em vídeo, seus curtas-metragens, seu trabalho na televisão e suas ideias sobre meditação e criatividade.
A proposta do livro foi reunir textos de escrita mais reflexiva, de voz e linguagem pessoal, sem a preocupação de fechar as pontas discursivas, tal como é de praxe nos formatos duros da academia.
O volume foi pensado com foco em um público amplo de interessados em David Lynch – cinéfilos, cineclubistas, estudantes, fãs – mas temos certeza que scholars também encontrarão conteúdos significativos e um conjunto de informações relevantes.


segunda-feira, 24 de abril de 2017

All this I did without you




Tom Hiddleston lendo uma carta de amor escrita por Geral Durrel para Lee McGeorge. Uma das cartas mais lindas que eu já li/escutei. Em inglês.

Letters Live: http://letterslive.com/letter/all-this-i-did-without-you/

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Nothing but words

there is a constant sadness
inhabiting every attempt of smile.

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memórias perpetuam dores

meio curadas, meio esquecidas
na esquina do antes vivido
um presente por ora, com hora
marcado num futuro
imprevisível.

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domingo, 22 de janeiro de 2017

Lápis


Basta de tapas.

Eu normalmente não levanto questões sociais e políticas no blog, mas defronte as circunstâncias atuais, calar - ou deixar de escrever sobre - é o pior caminho. 
Acordo e me deparo com a notícia que a Rússia está com um projeto de lei para descriminalizar a violência doméstica. Sim, você leu bem: des-cri-mi-na-li-zar. Ou seja, aquele velho bordão conhecido e cantado do "um tapinha não dói". Não dói se for consentido (concessão: s.f. Permissão para realizar algo; autorização, licença) mas caso contrário, provoca danos emocionais que doem mais que o próprio tapa. O que a leis da Rússia tem a ver com a gente? Tudo. Quando um país cogita normalizar um tapa, esta atitute ressoa em todos. Na realidade todas, porque na maioria dos casos o tapa vem do marido ou do namorado. Aqueles mesmos que dizem "eu te amo, prometo que não vou fazer de novo". Sabe em que lugar o Brasil está no ranking de feminicídios? QUINTO LUGAR (fonte: Mapa da Violência 2015 - Homicídio de Mulheres -no Brasil ) Os espaços que a violência contra a mulher atinge percorrem todos os becos: da casa da periferia até o lar dos bons moços, engravatados, pais de família, que urrem contra a corrupção de verde e amarelo num dia e no outro deixam um roxo no corpo da mulher. A lei brasileira tem que ser mais eficaz? Sem dúvida. Mas não silencie. Não podemos silenciar ou iremos retroceder. Se a nossa voz não for mais alta, estaremos compactuando com uma sociedade que foi moldada para as mulheres acreditarem que o valor delas se limita as fronteiras da cozinha. Um séquito de homens que entoa " ela é louca" ou " essa mulher é histérica" como ordem e progresso, que esquecem do útero que vieram e que violência não se atém somente ao campo físico. Um tapa muitas vezes derruba, mas mesmo no chão continuamos lutando. Porque é preferível rastejar por uma causa, do que fingir que ela não existe. E não esqueça que pra levantar, basta que uma ajude a outra. E somos muitas.




                                     Central de atendimento à Mulher






                         SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES 
                         MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E CIDADANIA: http://www.spm.gov.br