domingo, 22 de janeiro de 2017

Basta de tapas.

Eu normalmente não levanto questões sociais e políticas no blog, mas defronte as circunstâncias atuais, calar - ou deixar de escrever sobre - é o pior caminho.

Acordo e me deparo com a notícia que a Rússia está com um projeto de lei para descriminalizar a violência doméstica. Sim, você leu bem: des-cri-mi-na-li-zar. Ou seja, aquele velho bordão conhecido e cantado do "um tapinha não dói". Não dói se for consentido (concessão: s.f. Permissão para realizar algo; autorização, licença) mas caso contrário, provoca danos emocionais que doem mais que o próprio tapa.

O que a leis da Rússia tem a ver com a gente? Tudo. Quando um país cogita normalizar um tapa, esta atitute ressoa em todos. Na realidade todas, porque na maioria dos casos o tapa vem do marido ou do namorado. Aqueles mesmos que dizem "eu te amo, prometo que não vou fazer de novo".

Sabe em que lugar o Brasil está no ranking de feminicídios? 
QUINTO LUGAR 
(fonte: Mapa da Violência 2015 - Homicídio de Mulheres -no Brasil )

Os espaços que a violência contra a mulher atinge percorrem todos os becos: da casa da periferia até o lar dos bons moços, engravatados, pais de família, que urrem contra a corrupção de verde e amarelo num dia e no outro deixam um roxo no corpo da mulher.

A lei brasileira tem que ser mais eficaz? Sem dúvida. Mas não silencie. Não podemos silenciar ou iremos retroceder. Se a nossa voz não for mais alta, estaremos compactuando com uma sociedade que foi moldada para as mulheres acreditarem que o valor delas se limita as fronteiras da cozinha.
Um séquito de homens que entoa " ela é louca" ou " essa mulher é histérica" como ordem e progresso, que esquecem do útero que vieram e que violência não se atém somente ao campo físico.

Um tapa muitas vezes derruba, mas mesmo no chão continuamos lutando. Porque é preferível rastejar por uma causa, do que fingir que ela não existe.

E não esqueça que pra levantar, basta que uma ajude a outra. E somos muitas.


                                     Central de atendimento à Mulher





                         SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES 
                         MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E CIDADANIA: http://www.spm.gov.br