quinta-feira, 8 de junho de 2017

Floripa vs Ibiza.

Dei um "curtir" dias atrás em uma foto que mostrava um dia de sol na universidade que frequento com estudantes sentados na grama, aproveitando os raios solares escassos do quase inverno. Clima descontraído, foto bonita, filtro Instagrâmico e um porém, a legenda. Esta dizia: "Berkeley de Floripa". Fiquei refletindo sobre este hábito desenfreado em compararmos (quase) tudo e todos com o outro exterior. Vou focar aqui na cidade que nasci e cresci. Florianópolis é como diz o hino local ("Rancho de Amor à Ilha"), de uma "beleza sem par". Fato este, indiscutível. O grande problema é que a pobrezinha da ilha sempre teve que lidar com pares. Analogias do tipo "a Ibiza brasileira", seguida da francesa St.Tropez e atualmente, Dubai, graças a especulação imobiliária. Claro que isto tem a ver com o projeto de um hotel nos moldes do Burj al-Arab em uma área de preservação numa cidade com traços arquitetônicos portugueses. Um imbróglio que dura anos munido da imbecilidade de poucos perante a recusa de ver além do próprio bolso. Coisa rotineira por aqui. 
Adubar a criticidade diante de falas que estamos acostumados a proliferar é importante. Reproduzimos o discurso do colonizador mesmo depois do grito de independência ou morte. Esta mentalidade do outrora colonizado de o que é de fora é melhor ou de que qualquer coisa proveniente do americano do norte tem mais qualidade, deve ser questionada. Não estou dizendo para negarmos o que gostamos do outro mas para pensarmos com mais cuidado o que este outro nos oferece ou impõe tão sutilmente que digerimos sem nem mastigar. A sabedoria de um povo vem com a aceitação de uma história e um passado, já que este é imutável, e com a mudança a partir disto de comportamentos que muitas vezes aceitamos sem perceber. A corrente mais perigosa da escravidão é a invisível.

Praça XV de Novembro